quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

MUDANÇA DE FILOSOFIA NO FUTEBOL DE BASE

Acompanho o professor Fabio a algum tempo, e temos uma conjunção de idéias muito grande, este texto  vem ao encontro do que tenho postado nos últimos meses aqui no Performance, espero que gostem e acompanhem o trabalho do professor Fábio Aires da Cunha - http://www.fcunha.com.br


MUDANÇA DE FILOSOFIA NO FUTEBOL DE BASE

Fabio Aires da Cunha
O exemplo do Barcelona pode nos ensinar uma lição. Quando Guardiola, técnico da equipe catalã, disse em entrevista coletiva após a final do mundial interclubes: “... o que tentamos é passar a bola a um companheiro o quanto antes possível... o que o Brasil fazia, segundo o que contam meus pais e meus avós, desde sempre.”, nos transmite um misto de orgulho e vergonha.

Se os espanhóis, que unanimemente jogam o melhor e o mais bonito futebol apresentado por uma equipe no mundo, mostram um jogo de toque de bola, passes rápidos e jogadas bonitas, por que nenhuma equipe brasileira ou a Seleção conseguem repetir essa forma de jogar?

A desculpa de que o Barcelona é um clube rico e, assim, contrata grandes jogadores, aqui não serve, pois 8 ou 9 jogadores do time titular foram formados em sua categoria de base.

Alguns usarão como desculpa que a equipe catalã joga há muitos anos junta e então os jogadores tem um bom entrosamento. Isso é um aspecto que ajuda, com certeza, mas que sozinho não justifica esse resultado.
A grande explicação é a formação de base.

O clube espanhol possui uma filosofia clara e bem definida para a formação dos seus atletas. No lado técnico a preocupação é formar um atleta com qualidade técnica, com os fundamentos bem desenvolvidos e afirmados. No aspecto tático o objetivo é montar equipes coesas que mantém a posse de bola, que troquem passes em velocidade e, principalmente, jogadores solidários e comprometidos com o coletivo.

Não quero aqui valorizar o Barcelona, mas sim a filosofia adotada, uma filosofia que se preocupa com a formação completa do jovem atleta e não com o resultado imediato.

O mais incrível é que o trabalho bem feito, bem planejado, que respeita o desenvolvimento maturacional, que respeita as características de cada faixa etária, acaba trazendo, também, resultados esportivos a curto e médio prazo.
Devemos mudar a filosofia da formação de base no Brasil. Os clubes devem primeiro colocar dirigentes capacitados que não pressionem jogadores e técnicos por resultados esportivos. Em segundo lugar, devem contratar técnicos e demais membros da comissão técnica com qualificação profissional, que entendam de crescimento, maturação e desenvolvimento motor e que trabalhem os garotos pensando no futuro como atletas e cidadãos. Em terceiro lugar, o clube deve investir na infraestrutura e nas condições para que os treinamentos ocorram de forma científica e profissional, pois a estrutura é fundamental.

Destaco que desses pontos o principal é a qualificação dos profissionais que atuam no dia a dia com os jovens atletas. Necessitamos de técnicos mais qualificados nas categorias de base.

Quando o futebol brasileiro se atentar para esses pontos e para essa realidade, voltaremos a revelar craques em quantidade. Não podemos mais viver de um ou outro grande jogador que surja mais por sorte do que por trabalho bem feito.

Com isso, ganham os clubes, a Seleção, os torcedores, os atletas e o futebol brasileiro. Poderemos assim ver não apenas um Barcelona, mas sim inúmeros times apresentando um futebol vistoso e competitivo como vimos na manhã daquele 18 de dezembro de 2011 durante a final do mundial interclubes.

Acessado em 19/01/2012
http://www.fcunha.com.br/artigo/Mudan%C3%A7a%20de%20filosofia%20no%20futebol%20de%20base.htm

 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A culpa é do preparador físico

Pode parecer oportunimo, mas o resultado após o apito final do mundial de clubes de 2011 já era esperado por um grande números de pessoas, não torcedores comuns, mas sim pessoas que conseguem visualizar que o futebol brasileiro está parado no tempo quando o assunto é organização tática e metodologia de treino e formação de jogadores. Final do jogo do dia 18/12/2011, vimos o Barça fazer o que sempre faz, momentos do jogo bem definidos, agressividade na marcação, compactação, pressão sobre o portador bola em todos os setores do campo, e quando retomam a posse o campo fica imenso. E vimos também o Santos tentar fazer o que faz aqui no Brasil, time sem compactação, jogadas ofensivas baseadas em um ou dois jogadores e nenhuma pressão na bola. O resultado de Barcelona 4x0 Santos é a total realidade da diferença entre o Brasil e a Espanha e outros países europeus. Mas porque?

Fonte www.flamengorj.com.br

O Brasil é o país que mais possui títulos mundiais em copas do mundo, somos a única seleção que esteve presente em todas as copas, somos o pais que mais exporta jogadores para o mundo todo, e ainda todos os anos temos jogadores brasileiros entre os melhores do mundo, nos últimos anos um pouco menos, mas quase sempre estão presentes. Todos estes fatores contribuiriam para que outros países evoluíssem em termos táticos e principalmente em termos metodológicos. Mas será que nosso futebol parou no tempo? Não, seguindo uma linha educacional nosso futebol andou junto com evolução de nossos professores, e na década de 80 um membro da comissão técnica ganha força, o preparador físico. Seguindo a evolução da fisiologia, e principalmente a fisiologia do exercício os componentes físico se tornaram a principal preocupação de muitos clubes no Brasil e no mundo. Tivemos a resistência aeróbia, corridas contínuas, treinos de força, intervalados o VO2max, limiares de lactato, plataformas de força, CK, ureia, TGO, GPSs, e....... Uma série de controles físico, que seguindo um modelo Russo até hoje ditam os rumos da periodização no Brasil. Está errados? Não, a preparação física evoluiu, muito, a medicina esportiva evoluiu muito, a nutrição evoluiu, bastante, a fisioterapia evoluiu, mas e os aspectos táticos? 

Para mim fica claro, todas essas áreas cresceram por que os profissionais destas áreas evoluíram, buscaram conhecimento, estudaram as necessidades dos jogadores, analisaram as especificidades de cada função, lesão e tipo de nutrição para determinado momento da competição e objetivo, mas e a parte tática. Tivemos por muito tempo, e ainda temos "profissionais" sem capacitação a frente de equipes, a frente de jovens jogadores que precisam de muita informação, e não apenas de gritos  de "vamo" e "vamo".

Mas então qual a saída? Muitos acham que devemos apagar nossa história, e começar do zero, sendo mais direto, alguns radicais querem colocar a culpa da irresponsabilidade e incompetência de treinadores e dirigentes amadores nos preparadores físicos, pois estes tem como conceito de que o treinamento físico, desadapta os jogadores de uma percepção que é coletiva. Na verdade não é a preparação física que trava uma melhora metodológica brasileira, mas sim a falta de uma construção tática ao longo dos anos de formação nas categorias de base dos clubes. Penso que devemos agora, aproveitar toda a evolução das áreas biológicas (Física, Fisiologia, Fisioterapia, Nutrição e Psicologia) para tentarmos alcançar melhores resultados em níveis táticos, que por muitos anos não apresenta evolução alguma.

O Brasil parece ter acordado, parece ter percebido que além de nossos talentos individuais, podemos ter um pouco mais de valor coletivo, e quem sabe os treinadores podem aprender mais com seus colegas fisiologistas, fisioterapeutas e também com seu fiel escudeiro, o preparador físico. Sem contar que temos grande treinadores brasileiros que iniciaram como preparadores físicos, posso citar, Carlos Alberto Parreira, Otacílio Gonçalves e Celso Roth são alguns exemplos. Se muitos treinadores tivessem a metade da organização dos preparadores físicos, fisiologistas, nutricionistas e fisioterapeutas o futebol brasileiro estaria muito mais a frente, e evoluído.


Devemos construir uma metodologia que atenda todas as necessidades dos nossos atletas, necessidades que são culturais. Aliás, esse é o segredo dos nossos super talentos, nossa cultura, nossos filhos saem da maternidade vestidos com as cores de dos nossos times de coração, e com o primeiro brinquedo dentro da sacola das fraldas, a bola.






segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Era a isso que eu me referia!




A algum tempo algumas pessoas vêm tentando abrir os olhos do meio futebolistico brasileiro sobre as mudanças que estão acontecendo no mundo do futebol. Um resultado como o da final do mundial de clubes era necessário para que os olhos de todos podessem ver que não podemos mais depender de individualidades. Mas, por favor, a solução não é tirar xerox do Barça.